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As voltas que as rodas dão

Quem acompanha o nosso blog viu que estamos fazendo uma série de artigos pensando em como será o mundo pós-quarentena, o já famoso novo normal. Recentemente, mostramos como as “tendências” do passado despontam como soluções pro futuro, como o drive-in e o drive thru. Depois de olhar para trás e para frente, precisamos olhar para o lado, ou melhor, para o outro lado do oceano e ver o que está sendo feito por países que já estão planejando sua reabertura. E, por lá foi dado o sinal verde para às bicicletas.

A volta da bicicleta

Durante anos o assunto principal da humanidade era a sustentabilidade, e a bicicleta era usada como um símbolo desse movimento. Muitas vitórias foram feitas nesse sentido, como a construção e manutenção de ciclovias em grandes cidades, o aparecimento de bicicletários públicos, entre outros. Mas é claro, o Brasil está distante de ter esse meio de transporte como um dos seus principais, como é o caso da Holanda e da Inglaterra. Porém, ao que tudo indica isso tem tudo para mudar.

Parte desse motivo é que a lógica do momento é evitar aglomeração de pessoas. Então, quem precisa fugir dos transportes públicos encontra na “magrela” uma solução boa, barata, sustentável e, de quebra, uma maneira de ter uma vida mais saudável.

Pensando nisso, a Itália criou recentemente o “bônus bicicleta”, um incentivo de até 500 euros (aproximadamente R$3,1 mil) para que as pessoas tenham o seu “camelo”. Esse bônus é gradual e atinge até 60% do valor de uma bicicleta. O decreto assinado no dia 17 de maio, prevê um repasse de 120 milhões de euros (R$768 milhões) aos que queiram aderir a esse transporte de duas rodas. Vai funcionar assim: quem comprou um bike do dia 4 de maio até o dia 31 de dezembro deste ano, precisa apresentar a nota fiscal em um cadastro on-line para receber essa benesse do Ministério do Meio Ambiente italiano.

A França não ficou de fora dessa. O governo francês liberou um pacote milionário de incentivo ao ciclismo esperando com isso esvaziar trens, metrôs e ônibus. A iniciativa à francesa criou um fundo que destinará uma ajuda individual única de 50 euros (R$ 290) para quem quiser financiar reparos de freios, pneus e luzes nas bicicletas. A ideia aqui – diferente da italiana – não é comprar uma bicicleta nova, mas ajudar no custeio para dar nova vida aos objetos que ficaram parados acumulando poeira. Na prática, o governo está pagando para seus cidadãos pedalarem. Quanto? 20 milhões de euros (aproximadamente R$116 milhões). E não para por aí. Elisabeth Borne, ministra da Transição Ecológica e Solidária da França, defende ainda que os trabalhadores que optarem por esse meio de transporte para se locomover da casa pro trabalho receberiam uma gratificação de 400 euros (R$2.322) por ano!

Já no Reino Unido as bikes são tão importantes que as lojas que consertam esse produto foram consideradas como trabalho essencial durante o isolamento, o britânico Sadiq Khan, prefeito da cidade mais importante da Inglaterra, pensa como fazer uma reinvenção fundamental da vida na cidade de Londres. A prefeitura planeja ter dez vezes mais magrelas nas ruas e tenta quintuplicar a média de caminhadas. Para aumentar o distanciamento social vagas e ruas também estão se transformando em ciclovias ou calçadas mais largas. A prefeitura acredita que o aumento da quantidade de gente “não motorizada” nas ruas ainda ajude os pequenos e médios negócios locais. A ideia é disponibilizar nos próximos meses mil vagas de estacionamento e mais 30 quilômetros de ciclovias e os comerciantes já falam de “boom” de vendas.

Vale lembrar duas coisas: a primeira é que o ciclismo e a caminhada são vistos pela Organização Mundial da Saúde como a alternativa certa ao transporte público, sempre que possível. A segunda é que os países estão abrindo os seus cofres apesar de uma recessão eminente. O que mostra o quanto esses governantes entendem que o transporte público não é uma opção viável para o momento que se aproxima e já estão articulando alternativas sustentáveis e saudáveis.

Já para os empresários do varejo que vão precisar aderir ao “delivery de todas as coisas” as bikes são uma alternativa eficiente e barata para entregas que não precisem de muito deslocamento, perfeito para o comércio de bairro. Além disso, para guiar tal veículo sobre rodas não é necessário passar por cursos e nem ter carteira de habilitação.

O mundo possui mesmo essa habilidade de reviver e matar tendências num piscar de olhos. Se nos anos A.C. (antes da COVID-19) estávamos vivendo um ambiente no qual os aplicativos de carros estava investindo pesado para fazer colar a tendência do uso coletivo de viagens curtas (leia-se aqui caronas), no D.C. (depois da COVID-19) ninguém gostaria de dividir um carro lotado de desconhecidos.

Enquanto países latinos debatem inúmeras variáveis e alternativas para o que fazer quando tudo reabrir, do outro lado do atlântico as bicicletas já caminham à passos largos, ou melhor, pedalam para serem (no curto e médio prazo) “a pequena rainha do desconfinamento” (como disse Elisabeth Borne). Mas, enquanto não definimos a nossa estratégia por aqui, vale lembrar que, mesmo agora, quem tem a sua bike já precisa, além do capacete, de outro equipamento de proteção obrigatório, as máscaras.

Fontes:

Nexo

Blog Uol – Pedala

G1

Jornal Nacional

BBC

 

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